quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #3, Do You See What I See? (2024)

 

🎃🎃

Diretor: Awi Suryadi
Roteirista:
Lele Laila e Mizter Popo
Elenco:
Shenina Cinnamon, Diandra Agatha, Yesaya Abraham, Sonia Alyssa, Sarah Felicia, Jessica Shaina, Nyimas Ratu Rafa, Irgi Fahrezi, Bunbun Melly, Aqeela Dhiya...
Gênero:
Terror/Suspense
Ano:
2024
País:
Indonésia
Duração:
109 minutos

À procura de algum filme desconhecido de um país diferente, em busca de alguma pérola perdida, acabei me deparando com esse lançamento, filme da Indonésia baseado num podcast aparentemente muito famoso – que eu desconheço, diga-se de passagem. O continente asiático é conhecido por entregar bons filmes de terror. A Coreia do Sul e o Japão mesmo são um celeiro de grandes filmes do gênero, seja do passado ou lançamentos. A própria Indonésia possui bons filmes de terror e por essa e outra resolvi dar uma chance a esse.

Mawar (Diandra Agatha) é uma jovem que acabou de completar 20 anos de idade. Suas amigas Vey (Shenina Cinnamon) e Kartika (Sonia Alyssa), inseparáveis, fazem um bolo para comemorarem a data, ainda na universidade onde estudam. Naquele mesmo dia, à noite, Mawar vai ao cemitério onde o falecido pai foi enterrado e faz um pedido; como já tem idade o suficiente, pede ao pai que a permita arrumar um namorado. Permissão que é concedida, uma vez que ela de fato arruma um.

Deste dia em diante a garota começa a agir de forma estranha, ela se distancia das amigas e adota um comportamento frio e vazio. Suas amigas percebem que há algo de errado, mas começam a notar mesmo a gravidade do problema quando começam a ouvir e sentir uma presença no dormitório; uma presença que, suspeitam, é a responsável por fazer Mawar, uma garota feliz e vibrante, ser essa pessoa agora amarga e grossa. É então que resolvem procurar ajuda com outra garota da universidade que se diz médium e, a partir daí, as coisas desandam na vida de todos os envolvidos.

Do You See What I See” é um filme de ritmo lento que busca se desenvolver por meio do suspense por trás desse “namorado”. Desde o começo fica claro quem é esse namorado, e de carne o osso é óbvio que não é. O suspense, portanto, não se constrói por meio desse mistério, que nunca fez questão de se fazer presente, mas sim por meio de o que, e não quem, é esse namorado. É uma entidade maligna, claro, mas de qual tipo? Essa é a grande questão abordada aqui. 

Na Indonésia os mortos são enterrados envoltos numa mortalha branca – inclusive já rodou pela internet no passado algumas lendas urbanas a respeito de fantasmas desse tipo que foram vistos na zona rural do país, vídeos que ficaram famosos pelo tom sombrio, aliás – e é justamente isso que confere um tom macabro e sombrio ao filme. Na cena em que ele aparece atrás dos lençóis da dona do dormitório é um bom exemplo de uma boa construção de cena. No entanto, esse suspense não segue com o filme durante toda a sua duração. Isso acontece pela exposição de certos acontecimentos que ficam repetitivos e, por isso, cansativos. O uso excessivo de jump scares também contribui negativamente por conta de, dentre várias coisas, sua ineficiência – já é um recurso batido que raramente funciona de fato nos filmes, mas que, por algum motivo, a maioria dos diretores atuais adoram usar.  Junta-se a isso o fato de que há muito tempo para pouca história – o filme tem 109 minutos – para logo o desinteresse aparecer. Isso sem contar as atuações que também não convencem. Há, contudo, um elemento que, se houvesse um pouco de ousadia no diretor e nos roteiristas e que, se fosse utilizado, conferiria mais morbidez e, consequentemente, se bem aplicado, elevaria a qualidade da obra... Mas é um elemento deveras extremo e nojento e muito provavelmente não foi utilizado porque não existe na história original abordada no podcast. Mesmo assim seria interessante, mesmo que se apenas sugerido.

Infelizmente o resultado final não é bom, há tantos outros filmes daquelas bandas que são infinitamente melhores. Mesmo assim, fica a recomendação para os curiosos, pois nem tudo é ruim; há passagens que são assustadoras, mesmo que levemente. E a aparição da entidade, na verdade a estética dela, é um fator positivo – mas não chega a ser um mérito de fato, uma vez que, como disse, os mortos são enterrados nessa cultura dessa forma, ou seja, existem outras abordagens que usam essa mesma estética e que chega a ser mais eficiente. 




quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #2, Schlitter (2023)

 


🎃🎃🎃½

Diretor: Pierre Mouchet
Roteirista: Pierre Mouchet e Robin
Elenco: Louka Meliava, Léna Laprès, Gilles David, Côme Levin, Bernard Eylenbosch, Marie-Paule Kumps, Antime Calbrie Ekeloo, Nelson Maerten, Emmanuel Joucla, André Pasquasy, Arnaud Kervyn
Gênero: Terror/Suspense
Ano: 2023
País: França

Hora de partir para uma obscuridade: “Schlitter” (2023) é um filme francês feito para tevê pelo estreante Pierre Mouchet. O jovem diretor que anos antes havia chamado atenção por seu primeiro trabalho, um curta-metragem sobre um homem que vive sozinho no campo, com um segredo macabro.

Lucas (Antime Calbrie Ekeloo) e seu melhor amigo Mathias (Nelson Maerten) são dois garotos de oito anos de idade que vivem vidas bem diferentes. Enquanto o segundo parece ter uma relação saudável com os pais, o primeiro, por outro lado, vive uma situação bem diferente; com um pai autoritário, Lucas precisa lidar com uma infância difícil onde as agressões não são apenas mentais. O pai, considerado o melhor lenhador da região, o trata como um fracote por não conseguir realizar as tarefas do jeito que ele supõe que homens deveriam realizar, e por causa de certa dificuldade apresentada pelo menino, agressões físicas (uma em específico é mostrada, mas já é o bastante para se fazer crer que é algo corriqueiro) e mentais passam a ocorrer. O ápice dessa infância ruim acontece quando, sem querer, seu pai acaba atropelando seu amigo Mathias. Foi uma fatalidade, seu pai não o viu na estrada e assim acabou passando por cima no menino. Uma fatalidade transformada em crime quando, sem pudor algum, joga a bicicleta e o corpo ladeira abaixo. Lucas, dentro do carro, não consegue esboçar reação alguma frente a tamanha atrocidade.

Anos mais tarde, com Lucas agora já adulto (nesta fase da vida interpretado por Louka Meliava), recebe a ligação de que seus pais morreram em um incêndio. É após o funeral que ele, sua namorada Julie (Léna Laprès) e seu amigo Arnaud (Côme Levin) são convidados pelo pai de Mathias (que é interpretado por Gilles David) a parar em sua casa para que Lucas pegue alguns pertences de seus pais que foram salvos do incêndio e, também, para tomar um café. Percebe-se que o pai do menino morto nunca se recuperou do ocorrido, pois, além da perda do filho, ainda perdeu a esposa pouco tempo depois justamente por não ter conseguido lidar com o luto. É nesse momento, então, que as coisas começam a mudar; onde as coisas não são o que parecem e alguns segredos começam a ser revelados.

Com um orçamento modesto, o que o diretor entrega compensa em termos de criatividade. O filme segue com suspense crescente após o carro de Lucas estragar e os três ficarem presos na casa do velho. Como toda a história se passa no campo, no meio do nada, a sensação de impotência se instaura desde os primeiros instantes após as coisas começarem a dar errado. Sem carro, eles não conseguem ir para lugar algum, portanto precisam lidar com os problemas ali mesmo. E os problemas não são nada pequenos.

Contando com boas reviravoltas, o diretor mantém a atenção do público nos momentos-chave, onde a trama poderia descambar para o nada. E a violência, como mencionada no início do texto, se apresenta da melhor forma possível: tudo mostrado on-screen e de forma extremamente gráfica que, aliás, conta com uma excelente maquiagem e efeitos.

Alguns problemas também podem ser observados, como, por exemplo, algumas decisões questionáveis por parte de alguns personagens e algumas ações que parecem não condizer com a condição física de um personagem específico. O desenvolvimento dos três amigos, já adultos, também deixa a desejar; há um problema que Lucas descobre ao ler algumas mensagens no celular da namorada que não surte efeito, uma vez que não há tempo para trabalhar esse, entre outros elementos, e aspectos dos personagens. Nada que tire o brilho da obra, no entanto.

Com isso, “Schlitter” demonstra ser um trabalho decente feito por um estreante que soube muito bem como lidar com o baixo orçamento, incrementando na história, que é o mais importante, elementos que ajudam a manter o interesse do público, de modo que haja suspense e terror na medida certa. Sendo um filme feito para tevê, impressiona. Ainda mais quando se leva em consideração as doses de violência. 

 


 

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #1, Apartamento 7A (Apartment 7A, 2024)

 

🎃🎃½

Diretor: Natalie Erika James
Roteirista: Natalie Erika James, Christian White, Skylar James
Elenco: Julia Garner, Dianne Wiest, Kevin McNally, Jim Sturgess, Marli Siu, Rosy McEwen, Andrew Buchan, Anton Blake Horowitz, Tina Gray, Patrick Lyster...
Gênero: Terror/Suspense
Ano: 2024
País: Estados Unidos/Austrália/Reino Unido

Como primeiro filme da maratona, porque não começar com o prequel de não apenas um dos filmes mais aclamados dos anos 60, mas também da história do cinema? “Apartamento 7A” se propõe a mostrar os acontecimentos que antecedem os de “O Bebê de Rosemary” (1968) – dirigido por Roman Polanski que dispensa comentário. Aqui, Natalie Erika James foi a escolhida para assumir a direção do longa, muito por ter chamado atenção com seu filme de estreia, o anterior “Relíquia Macabra” (2020).

Lançado pela Paramount+ no dia 27 de setembro, “Apartamento 7A” conta a história de Terry Gionoffrio (Julia Garner), que tenta recuperar e alavancar a carreira após sofrer um acidente numa peça de dança, onde torceu o tornozelo de modo que a deixou com uma sequela. Incapaz de executar um salto de forma consistente por causa do tornozelo fragilizado, a dançarina acaba encontrando refúgio no apartamento título do filme, que lhe é oferecido por um casal, Roman Castevet (Kevin McNally) e Minnie Castevet (Dianne Wiest). O casal, simpático e acolhedor num primeiro momento, começa a mostrar suas reais intenções ao oferecer à Terry o apartamento ao passo que a história caminha. E então que as coisas começam a ficar macabras.

Terry é convidada pelo casal a ir à uma festa onde o diretor da peça, Alan Marchand (Jim Sturgess), a qual ela está concorrendo estará presente – na verdade acontece na casa dele. O que acontece, no entanto, é que o casal e mais ninguém vai, deixando-os sozinhos, ela o diretor. É nesta “festa” onde eles se conhecem melhor e Terry acaba participando do momento mais sinistro de sua vida, o que, nos dias seguintes, a deixa com lembranças cujas quais ela não consegue distinguir se são reais ou imaginação.

Um dos problemas aqui, porém, é que o espectador sabe exatamente o que está acontecendo, ao contrário da protagonista. O filme não procura confundir o espectador, que sabe desde o início as reais intenções de todos ali, inclusive do simpático casal. Para quem assistiu ao original, talvez isso não fosse problema, afinal eles já sabem muito bem quem é o casal e suas intenções, no entanto, para um público novo, e até mesmo para os antigos, um pouco de manipulação não faria mal. O fato de o espectador estar sempre um passo à frente da personagem, aqui, não surte efeito prático. A dualidade que tem o original, por exemplo, que ajuda na criação da atmosfera e a construir um sentimento inquietante foi deixado completamente de lado, talvez para, por ser uma “continuação” – logo explicarei as aspas –, tentar se distanciar de fato, o que seria bom se não fosse ruim. No final das contas o que vemos, na prática, são cenas que inconfundivelmente mais do que lembram o filme de 68, misturam-se, às vezes. E isso não é bom por inúmeros motivos: primeiro, pela incapacidade do roteiro de criar algo novo; segundo, pela falta de criatividade ao desenvolver personagens e construir cenas. E o final que no filme do Polanski é a reunião de tudo o que foi visto até então e chega a quase, ou talvez ser de fato, catártico. O espectador se vê numa situação tão macabra que chega a incomodar, no melhor sentido possível da palavra. Aqui, por outro lado, o final, além de equivocado (e novamente, quem viu o original vai entender), é mais outro retrato da falta de criatividade dos envolvidos.

No final, o que se vê é um remake travestido de prequel, e feito, ao que parece, da forma mais preguiçosa possível. Isso significa que o filme não tem qualidades? Muito pelo contrário. Por mais que a personagem principal não cative, a atriz parece realmente empenhada, assim como o casal de idosos, que estão realmente bons. E, claro, para além disso, há cenas que se destacam, mas não são muitas. No geral, a mediocridade permeia, infelizmente.  

 


 

 

Sessão Dupla: Os Goonies (1985) e Conta Comigo (1986)

      Os Goonies (The Goonies, 1985) – Richard Donner Conta Comigo (Stand by Me, 1986) – Rob Reiner Dentre as várias combinações possíveis...