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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #15, Aterrorizante 2 (Terrifier 2, 2022)

 

🎃🎃🎃½

Diretor: Damien Leone
Roteiro: Damien Leone
Elenco: Lauren LaVera, David Howard Thornton, Elliott Fullam, Sarah Voigt, Kailey Hyman, Casey Hartnett, Charlie McElveen, Amelie McLain, Johnath Davis, Samantha Scaffidi, Leah Voysey, Chris Jericho...
Gênero: Terror
Ano: 2022
País: Estados Unidos
Duração: 138 min

Com o orçamento baixíssimo de apenas 35 mil dólares, o primeiro filme solo de Art, O Palhaço, lucrou incríveis 419 mil dólares em bilheteria mundial, sendo que desse montante geral, 339 mil foram apenas nos Estados Unidos e Canadá. Um sucesso retumbate! Óbvio, uma franquia estava prestes a nascer; a popularidade de Art estava nas alturas (e ainda está) assim como a arrecadação do longa mundo afora. Com isso, o orçamento para esse segundo filme subiu consideravelmente para 250 mil dólares. Um valor alto quando se comparado com o orçamento minguado que teve seu antecessor – mas ainda assim baixo para os padrões hollywoodianos. Dito isso, com um valor investido maior, será que o faturamento também aumentou? E a história, melhorou?

O que fica evidente nesta continuação são as histórias pessoais de cada personagem e como elas se encaixam na trama central. Ao contrário do primeiro filme, que se baseava única e exclusivamente na violência propagada por Art, aqui as coisas mudam um pouco. Claro, a violência está presente de maneira mais gráfica e perturbadora do que no primeiro – embora eu ache que a cena da mulher sendo cerrada ao meio no primeiro filme é a mais violenta da franquia até aqui. No entanto, Damien Leone tenta equilibrar essa violência com um pouco de drama pessoal. Isto é, os personagens agora possuem um arco, mesmo que esse arco não seja complexo ou completo. Ainda há lacunas que o diretor e roteirista não conseguem preencher. Contudo, o fato é que agora o filme possui substância, o que, tendo em vista que se trata de um filme com quase duas horas e vinte de duração, é essencial para conseguir manter espectador atento e engajado, mesmo que esse espectador seja um fã inveterado de filmes gore. Sem substância, um filme com essa duração certamente, em algum momento, entediaria.

Os irmãos Sienna (Lauren LaVera) e Jonathan (Elliott Fullam) estão passando por um momento de luto pelo falecimento de seu pai. Cada um lidando com a perda à sua própria maneira. O menino mergulha no mundo do terror, que é sua paixão; é fã de filmes de terror e de histórias de assassinatos e serial killers. Tanto é que, no Halloween que está prestes a chegar, sua fantasia é justamente a de Art, O Palhaço, que, tempos atrás (primeiro filme), assassinou violentamente algumas pessoas. Fascinado pelo macabro, Jonathan é logo repreendido pela irmã e pela mãe, Barbara (Sarah Voigt), que explicam o quão desrespeitoso é vestir-se como um assassino real, mesmo que no Halloween. Sienna, aliás, que desaprova e se preocupa com o comportamento do irmão, tenta superar a morte do pai, por exemplo, recriando uma fantasia que pretende usar na data comemorativa, que foi desenhada por ele antes de seu falecimento. O pai era uma espécie de artista e ambos os irmãos se apegam a esse fato para conseguir atravessar esse momento, e Sienna demonstra muito disso. A interação entre os três é o ponto central da profundidade que Leone busca dar ao filme: como eles interagem entre si, com os outros e, claro, como irão reagir quando o sangue começar a jorrar. É uma grande mudança proposta pelo roteiro que busca realmente algo diferente do que havia sido feito antes, mas que não se sustenta em um filme tão longo. Por exemplo, a cena em que Sienna sonha com Art é excessivamente longa. É uma cena crucial para o restante do filme, pois estabelece alguns medos da personagem e inclusive reações frente alguns desses medos, mas... É longa demais. O que quer dizer que há elementos que se repetem e que poderiam ter sido excluídos eu enxugados do roteiro. A música que se ouve no sonho, por exemplo, se repete demais e, se Leone tinha a intenção de criar uma música que se tornasse icônica (como a que se ouve nos filmes do Freddy com as crianças cantando e pulando corda), o tiro acabou saindo pela culatra. E não é que a música seja ruim, é apenas pela sua repetição e também pelo tom, que não se prende à memória, diferente da mencionada entre parênteses. Mas tudo bem, porque, mesmo assim, é uma boa canção dentro do contexto estabelecido.

Tantas outras cenas sofrem desse mesmo mal do prolongamento desnecessário, com diálogos que se estendem e assim por diante. Dar substância à trama não é o mesmo que alongá-la. Por isso, o filme acaba se tornando enfadonho em alguns momentos. É um filme ruim por causa disso? Muito pelo contrário; aqui o diretor acerta mais do erra. Já foi mencionado que muitas cenas e diálogos se prolongam mais do que o necessário, o que é bastante negativo, por outro lado, a substância dada aos personagens e, claro, a violência apresentada são dois grandes pontos positivos. Além disso, a produção se destaca com uma cinematografia bonita com tons neons e cores frias e quentes que se misturam e uma trilha sonora bonita com sintetizadores que remetem aos anos 80, que era outro objetivo do diretor: buscar elementos desta época para tornar o filme o mais oitentista possível. Ele conseguiu.

Sobre os personagens, aliás, há uma personagem específica que se torna companhia de Art, que é a 'Pale Girl'. Uma garota, também vestida de palhaço, que só Art enxerga, e chega a ser tão sádica quanto. O palhaço assassino agora ganha uma comparsa que o segue em sua jornada sangrenta. Aliás, uma jornada também repleta de humor negro, que se faz presente desde o começo, quando, após ressuscitar em uma sala que parece uma espécie de IML, o palhaço mata o médico e vai até a lavanderia lavar sua roupa encharcada de sangue para continuar sua matança. Inclusive é nesta lavanderia que ele conhece Pale Girl. São cenas violentíssimas e engraçadas, que levam o tom do filme para essa dualidade. Há muitos momentos cômicos em meio ao banho de sangue, e essa é uma mistura que o diretor sabe realizar muito bem, pois não descamba para o exagero, mesmo que o filme possa ser visto desta forma. O humor não é deslocado, muito pelo contrário, ele reafirma a violência de modo a mostrar o quão sádico Art é.

Como a continuação ainda é uma produção completamente independente, toda a maquiagem e efeitos também foram feitos pelo diretor, que é um expert no assunto. Sem um grande estúdio por trás, assim como no primeiro filme, Leone pôde usar toda a sua criatividade nas mortes e na hora de recriá-las. Verdade seja dita: tudo isso só foi possível porque não há ninguém grande da indústria por trás dizendo o que pode ou não ser mostrado – e isso é justamente um dos grandes problemas das produções que sofrem com cortes e interferências o tempo todo. Assim, Leone está livre para fazer o que quiser da forma como quiser, e é por isso que os filmes de Art são tão violentos. O terceiro, a propósito, pelo que se diz por aí, consegue ser ainda mais violento (quando chegar a hora, o abordarei por aqui).

Os filmes de Leone, portanto, vêm em um crescente; começando lá atrás com seus curtas e depois passando por “All Hallows’ Eve”, onde Art aparece pela primeira vez, seguindo para sua estreia em um filme solo até esta continuação, fica perceptível a crescente qualidade técnica, que abrange o roteiro e a produção, e avança em direção a outros elementos. Os personagens são melhores e mais bem desenvolvidos, e novas características são incluídas, como a agora evidente e sobrenatural faceta do assassino. E, óbvio, tudo isso se reflete no faturamento, que foi nada menos que incríveis 15 milhões e 700 mil dólares mundo afora – sucesso financeiro que coroa o esforço do diretor em entregar algo fora do mainstream, com níveis de gore que vão às alturas e que seriam com certeza rejeitados por grandes estúdios. São melhoras consideráveis que fazem cada vez mais aumentar a curiosidade com relação ao que está por vir.

 


 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #8, Terrifier (2016)

 

🎃🎃🎃

Diretor: Damien Leone
Roteiro: Damien Leone
Elenco: Jenna Kanell, Samantha Scaffidi, David Howard Thornton, Catherine Corcoran, Pooya Mohseni, Matt McAllister, Katie Maguire, Gino Cafarelli...
Gênero: Terror
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Duração: 85 min

Eis então que agora Art, O Palho, recebe seu primeiro filme solo. Um filme inteiramente dedicado a este personagem que tanto chamou atenção em sua primeira aparição em um longa-metragem em “All Hallows’ Eve” (antes disso aparecia em curtas-metragens apenas). Foi por achar que os anos 2010 careciam de um novo palhaço assassino como um ícone do horror que o diretor Damien Leone o criou. Para fugir no convencional e do clichê, tentou se desvencilhar o máximo possível do que já tinha sito feito até então e, num cenário onde Pennywise é o maior expoente, o que ele fez foi distanciar o máximo possível deste personagem, e quem ja assistiu aos filmes com Art sabe que o objetivo foi atingido com sucesso. Hoje, o personagem é conhecido no meio do terror e já está se tornando um ícone.

Com um orçamento ainda apertado, o roteiro conta a história de duas amigas, Tara (Jenna Kanell) e Dawn (Catherine Corcoran), que numa noite de Halloween, já indo embora para casa, têm o azar de se depararem com o palhaço, que passa a importunar as duas, mas principalmente Tara. A partir disso elas passam o inferno na mão do psicopata, e Dawn ainda mais do que qualquer outro; é ela que protagoniza a cena mais sádica e violenta do filme (fazendo lembrar Ed Gein e o que fez com uma de suas vítimas em Plainfield), em um banho de sangue de fazer arrepiar.

Com uma história mais consistente (mas nem tanto assim, diga-se de passagem, uma vez que não há muito aqui que não pessoas tentando fugir do assassino e sendo mortas por ele) que o filme anterior (citado na introdução), o diretor consegue usar de sua imaginação para dar fins cruéis às suas personagens; fins extremamente cruéis nas mãos de um dos palhaços mais sádicos do cinema que se delicia ao torturar e matar suas vítimas.

Uma das características marcantes do personagem é o fato de ele não dizer uma palavra. Ele mata, persegue e se delicia com isso e não emite um som sequer, o que ajuda a conferir mais malignidade ao personagem, que age quase como se fosse uma caricatura de um desenho animado. Anteriormente interpretado por Mike Giannelli, que deu vida ao palhaço nos dois curtas anteriores (“The 9th Circle” e “Terrifier”, de 2008 e 2011 respectivamente) e ao filme de 2013, Art, de aqui em diante, é interpretado por David Howard Thornton, que acaba entregando muito eficientemente uma atuação digna da malignidade inerente a esse personagem. E a história, embora bastante simples, acaba se destacando mais pelas mortes do que qualquer outra coisa, e é a partir disso que o diretor consegue destaque; toda a maquiagem utilizada nas mortes são realistas e muito bem realizadas: são pessoas que são cerradas ao meio e decapitadas, e são todas mortes mostradas on-screen, ou seja, consegue-se ver tudo, sangue jorrando, intestinos caindo do corpo, ossos se quebrando e mais. Os fãs de gore vão adorar, e o fato de ser um filme curto, com apenas uma hora e vinte e cinco contribui. Histórias que não tem muito a contar se beneficiam de uma curta duração. O diretor, portanto, foi esperto nessa.

Com alguns pontos fracos, percebe-se uma evolução aqui. No entanto, há mais que melhorar, e é então que entra o segundo filme (texto para outro momento) que, apesar de bem mais longo do que este, consegue consertar certos problemas e direcionar a história rumo a uma melhoria. O diretor parece saber aonde chegar com esse seu personagem e a trajetória traçada parece ser boa. Vale ressaltar que o clima caseiro ainda se mantém. Tão caseiro que, por exemplo, a cena onde uma ambulância passa por Dawn não foi combinada. Quer dizer, a ambulância passar por ela naquele momento não foi combinado, aquela foi uma ambulância real indo atender alguma ocorrência real, o que deixa claro que, por ser um filme independente de baixíssimo orçamento, muitas coisas não estão no controle do diretor, e, neste caso, não atrapalha, muito pelo contrário, é um fato que confere certo charme (não sei se esta é a melhor palavra pra descrever) ao filme e principalmente a essa cena específica. E que fique claro, pela violência extrema e pelo tom caseiro e independente, com certeza “Terrifier” não é filme para todos os gostos. 

 


 

domingo, 6 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #5, Terrifier - O Início (All Hallows' Eve, 2013)

 

🎃🎃½

Diretor: Damien Leone
Roteirista:
Damien Leone
Elenco:
Katie Maguire, Catherine A. Callahan, Marie Maser, Kayla Lian, Mike Giannelli, Sydney Freihofer, Cole Mathewson, Michael Chmiel, Marissa Wolf, Minna Taylor, Brandon deSpain...
Gênero:
Terror
Ano:
2013
País:
Estados Unidos
Duração:
82 minutos

Damien Leone é o nome por trás de umas das figuras mais icônicas do cinema de terror atual. Estreante como diretor e roteirista, mas experiente fazendo maquiagem e efeitos especiais para longas e curtas-metragens, foi aqui, em “All Hallows’ Eve”, onde ele fez a estreia de Art, um dos palhaços mais sanguinários da história do cinema de terror.

Com uma premissa simples e orçamento baixíssimo, o filme conta a história de Timmy (Cole Mathewson) e Tia (Sydney Freihofer), duas crianças que estão sob a supervisão de Sarah (Katie Maguire) na noite de Halloween. Após voltarem da rua, Timmy descobre uma fita VHS misteriosa no meio dos doces que conseguiu. Preocupada com o conteúdo da fita, Sarah não permite que as crianças a assista antes dela mesma, que a checa enquanto as crianças esperam na sala ao lado. Então o que ela vê é o que parece ser apenas mais um filme de terror. Desse modo, ela permite que as crianças assistam, mas com a condição de que ela retirará a fita caso ela fique extrema demais.

O conteúdo, nada mais do que três histórias de terror. Apenas mais um filme macabro que provavelmente algum vizinho maluco colocou na sacola das crianças para assustá-los, afinal, aquela é uma noite de Halloween, doces ou travessuras acontecem a noite toda, sendo que muitas vezes travessuras mais do que doces. Como já era de se esperar, o filme acaba ficando realmente mais extremo e, como combinado, Sarah o retira do aparelho e manda os dois para cama. Assustada, mas curiosa, acaba voltando para terminar de assistir. É ao término do filme que ela percebe que aquilo vai além de uma simples história de terror, de uma simples brincadeira de um vizinho.

Como diretor e roteirista de primeira viagem, a história, como já era de se esperar de um filme praticamente caseiro como este, não é das mais inventivas. O conceito de uma fita VHS carregar mistérios e maldições pode parecer interessante e até já foi explorado algumas vezes, mas aqui, talvez por causa do baixo orçamento, limita o diretor a construir a história em poucos locais que não contribuem com seu desenvolvimento, e a própria maquiagem – como será abordada mais a frente – compromete. Por exemplo, entre alguns cenários, grande parte do filme se passa em uma casa onde estão as crianças e a babá, e os cenários que podem ser vistos na fita, em locais pequenos como uma espécie de sala de espera numa estação de trem (você só vê a sala que possui pouquíssimos detalhes) e uma parte subterrânea para onde algumas pessoas raptadas por Art são levadas; não há grandes detalhes. E falando das cenas dentro da casa, e tantas outras, percebe-se que zooms são muito utilizados muito provavelmente para esconder problemas e diminuir a atenção num cenário com poucos atrativos visuais. Quando a câmera abre um pouco para mostrar mais, como no caso do segundo conto, dos extraterrestres, a evidência da falta de dinheiro usado no visual das criaturas faz com que o espectador torça para que o diretor volte com os zooms e mostre menos. 

O palhaço Art, por sua vez, aparece poucas vezes. Aparece no conto da estação de trem na VHS e, depois, para a própria babá que, assustada com o que tinha acabado de ver na fita por um instante acha que pode estar enlouquecendo, até se assustar de verdade com o que vem depois; o final do filme é especialmente bastante violento.

Tentando compensar a história, o diretor então investe no que ele sabe fazer de melhor, que é a maquiagem e os efeitos e, justiça seja feita, há aqui, sim, uma maquiagem bem-feita – mesmo que em poucas cenas; não é sempre que se vê tal boa maquiagem se fazer presente. No primeiro conto, por exemplo a maquiagem é muito pobre, com as criaturas que aparecem no subsolo claramente parecendo um amontoado de borracha – o segundo conto mencionado acima, então, nem se fala, chegando ao ponto do ridículo. Já outras cenas, como as do final, são onde se percebe o bom trabalho do diretor como maquiador. As próteses usadas, o sangue e o gore como um todo chamam atenção. Mas isso só ocorre em poucos momentos, ficando visível que Leone poupou o pouco dinheiro que tinha à disposição para cenas específicas. Dessa forma, fica evidente os motivos que o levaram a priorizar certas cenas em detrimento de outras.

Art, portanto, é um vilão interessante, mas não muito explorado aqui. O interesse por parte do público – e, claro, do próprio diretor – levou-o a desenvolvê-lo em um filme próprio que posteriormente veio a virar uma franquia (“Terrifier”), com um terceiro filme prestes a ser lançado e um quarto já em pré-produção. Mas, voltando a falar de “All Hallows’ Eve”, o que se vê não é dos melhores filmes independentes, e parte dos problemas são causados pela falta de verba e por um diretor estreante que não soube contorná-los, e pouca criatividade. Acaba sendo divertido, no entanto, por causa de algumas cenas gore. A pouca metragem também contribui. Se fosse muito mais longo muito provavelmente descambaria para se tornar uma bomba, o que, reforçando, não é nem de longe o caso. 

 


 

Sessão Dupla: Os Goonies (1985) e Conta Comigo (1986)

      Os Goonies (The Goonies, 1985) – Richard Donner Conta Comigo (Stand by Me, 1986) – Rob Reiner Dentre as várias combinações possíveis...