Eis então que chegamos ao fim do Halloween de 2024. Foram 31 dias sombrios de puro horror com histórias diversas que passaram por apartamentos, vilas fúnebres, um asilo misterioso e um palhaço sedento por sangue, dentre tantos outros. Infelizmente o desafio de assistir e escrever sobre um filme por dia não se completou no final das contas, muito por causa de algumas chamados lúgubres feitos pelo mestre das trevas em pessoa, e por isso precisei me ausentar para atendê-los. Foram chamados, por assim dizer, inegociáveis. Afora isso, ao todo foram 17 filmes, sendo que alguns deles, 3 para ser mais exato, são textos antigos que usei para preencher algumas dessas lacunas. E apesar de não ter finalizado com 31 filmes, a maioria dos 17 que aqui se encontram são os que fizeram deste um excelente Halloween: macabro, tétrico, sinistro, sangrento e divertido. E agora que os portões do inferno se fecharam, resta-me apenas aguardar até que se abram novamente, no próximo ano. Até lá, que o sangue escorra de outros modos.
Diretor: Chris Butler, Sam Fell Roteiro: Chris Butler Elenco: Kodi Smit-McPhee, Anna Kendrick, Christopher Mintz-Plasse, Tucker Albrizzi, Casey Affleck, Leslie Mann, Jeff Garlin, Elaine Stritch, Bernard Hill, Jodelle Ferland, John Goodman... Gênero: Animação Ano: 2012 País: Estados Unidos / Reino Unido Duração: 90 min
Dos estúdios dedicados a animações, Laika é um dos que mais
se destacam. Estúdio de filmes como “Coraline”
(2009), seu maior sucesso, e o mais recente “Link Perdido” (“Missing Link”,
2019), esse estúdio dedica-se inteiramente à forma mais artesanal de se fazer
animações: stop motion. E os fazem com paixão e amor à arte acima de tudo. São
filmes belíssimos visualmente falando, mas também em termos de história e
substância. Todos, sem exceção, possuem mensagens a ser passadas ao público, e
muitas vezes tocam em assuntos pesados que se escondem por trás de personagens
delicados e histórias que exigem que o público busque por parte dessas
mensagens nas entrelinhas. Inclusive, parte deliciosa que é assistir aos filmes
dessa produtora é que, conforme for revisitando seus filmes, há detalhes que
podem ser pegos nessa revisão que não foram anteriormente. Assim, com todo o
cuidado e esmero possível, seus filmes demoram anos para serem finalizados. De
seu primeiro filme, “Coraline”, para
este retratado neste texto, que é o segundo da produtora, por exemplo, levou
três anos. De “Missing Link”, que é
seu último lançamento, para o próximo, que será em 2025 (Wildwood – que, segundo o IMDb vai contar a história de Prue Mackee,
que sai à procura de seu irmão sequestrado na floresta fora da cidade onde vive),
serão 6 anos de espera. Isto é, ao contrário de estúdios que lançam filmes
todos os anos, os estúdios Laika, pelo contrário, não faz desta forma. E o
resultado maravilhoso como já dito antes pode ser visto em cada um de seus
lançamentos. É um tempo grande de espera que faz valer a pena.
Em “ParaNorman”
(2012) a história segue Norman (cuja voz foi dada vida por Kodi Smit-McPhee),
um jovem rapaz que, assim como toda a família, está atravessando o processo de
luto pela perda de sua avó (Elaine Stritch). O que o diferencia dos demais de sua família – e aliás,
de todos da cidade, com exceção de seu tio, logo chegaremos lá – é que
ele consegue ver os espíritos dos mortos, e consequentemente o de sua avó. Todos da cidade, mas principalmente
os meninos da escola, tratam-no como uma aberração, mas o que mais o machuca é o
fato de sua própria família não fazer o mínimo esforço para entender seu lado.
Toda a família, com exceção de sua mãe, Sandra Babcock (voz de Leslie Mann),
olham para ele de maneira diferente. A irmã, Courtney Babcock (Anna Kendrick), provoca-o
sempre que tem oportunidade, seu pai, Perry Babcock (Jeff Garlin), que não
aceita o jeito do filho de ser, pega duro o rapaz, inclusive com dizeres fortes
como quando no carro, por exemplo, diz ao filho que não pediu para que ele nascesse
desta forma. A única pessoa que o entende e o aceita do jeito que é, é seu
melhor amigo Neil (Tucker Albrizzi), que sempre faz questão de estar ao seu lado, mesmo quando Norman não quer companhia alguma. Neil, a propósito, é
uma espécie de alívio cômico (não que o filme precise disso) e ajuda a balancear a história. O modo como ele enxerga o mundo, de forma positiva mesmo frente às adversidades, faz o filme mais leve. É ele quem protagoniza algumas das cenas mais
engraçadas de todo o longa inclusive.
Numa data comemorativa da cidade é que tudo começa a virar
de cabeça para baixo. Uma maldição há muito lançada sobre ela está prestes a
acontecer. Antes, o dever de acabar com essa maldição foi dado ao tio de Norman, Mr.
Prenderghast (John Goodman) – considerado o maluco da cidade –, que também é capaz de ver e conversar com espíritos, porém, com o falecimento do mesmo, recai sobre os
ombros do menino livrar a todos das garras dos mortos-vivos sedentos por
cérebro. Conforme a trama se estabelece e se desenvolve, vem à tona o fato de
que muitas coisas não são o que parecem ser, e é então que a mensagem começa a
ser passada para o público. Aqui, observa-se que um dos panos de fundo é o
bullying que sofre Norman e o gordinho seu amigo. O diretor foca nas formas
como ele reage frente aos comportamentos agressivos de seus colegas de escola e
também de sua própria família. E quando a maldição se aflora, o que pode ser visto num dado momento é
o oposto; pessoas que no passado foram maltratadas agora retornam para
maltratar. Será que é justificável pagar usando da mesma moeda? Um diálogo que
Norman tem com uma personagem, inclusive, é de uma delicadeza e profundidade
enormes. A trilha sonora, a propósito, reforça essa delicadeza que permeia o
filme e combina com a personalidade de Norman.
Como um filme infanto-juvenil (será que posso chamar desta
forma?), os diretores se superam, pois também acrescentam à história várias
referências à filmes de terror dos anos oitenta e setenta. A principal homenagem
é para o mestre George A. Romero (falecido em 2017 por um câncer fulminante de
pulmão) – responsável por criar e desenvolver todo um subgênero e inclusive
conferindo aos zumbis características que não eram vistas em filmes que vieram
antes –, mas há também homenagens à “Halloween”
(1978) e “Sexta-Feira 13” (1980), em
uma cena divertidíssima. Ou seja, há diversão aqui para todos os públicos, e os
que são amantes do terror com certeza se divertirão muito.
Com visual lindo, portanto, uma história que entretém e que ao mesmo
tempo discute assuntos importantes, mais os vários personagens divertidíssimos e zumbis
carismáticos são a mistura que torna este um dos melhores filmes da produtora.
Que a verdade seja dita, chega a ser difícil escolher os melhores, visto que
todos possuem características que os tornam únicos, mas este, visto a temática,
consegue destaque.
Diretor: Cristian Ponce Roteiro: Gabriela Capello, André Pereira, Cristian Ponce Elenco: Marjorie Estiano, Pablo Guisa Koestinger, Javier Drolas, Reynaldo Machado, Thelmo Fernandes, Chandelly Braz, Ângela Rabello, Helena Varvaki, Rafael Canedo... Gênero: Terror / Suspense Ano: 2024 País: Brasil Duração: 91
Disponível pela Netflix desde o dia 23 deste outubro, “Abraço de Mãe” é mais uma adição do
terror nacional - que vem chamando atenção do público ao longo dos anos - ao
catálogo dessa plataforma. Dirigido pelo argentino Cristian Ponce, o filme
passou por alguns festivais onde foi elogiado pelo público e por parte da
crítica. É uma empreitada do diretor em terras tupiniquins onde ele explora o
horror cósmico e o psicológico, criando uma narrativa tensa e de desconforto.
Marjorie Estiano é Ana, uma bombeira que durante as fortes e
torrenciais chuvas que devastaram o Rio de Janeiro no ano de 1996, retorna de um
afastamento após um trauma sofrido em uma ocorrência tempos atrás. Anteriormente
designada ao setor administrativo, Ana acredita já estar pronta para voltar
a trabalhar com resgates. No entanto, logo em sua primeira ocorrência após o retorno, que a bombeira se deparará com uma situação perigosa. Ao atender um
chamado sobre um asilo com sérios riscos de desabamento, ela se vê frente a situações que nunca esperaria passar em sua vida, onde precisará lidar tanto com os perigos externos quanto com seus próprios demônios internos, à medida que traumas de um passado distante retornam para assombrá-la.
Ana é uma bombeira determinada que busca a redenção após ter
paralisado na ocorrência responsável por afastá-la do Corpo de Bombeiros. Após passar por médicos e psiquiatras, a constatação de que não apresenta nenhum sinal
de depressão é um dos fatores que fazem com que seus superiores a designem novamente para o trabalho na rua, como costumava fazer. Agora é o momento em que ela busca provar seu valor e suas capacidades. O problema é que, uma vez
adentrando o asilo, os residentes ali tinham planos diferentes dos dela e de
sua equipe. Contrários ao plano de evacuação, fazem de tudo para
permanecer. O motivo, Ana descobre da pior forma. Tendo de lidar com suas
memórias de infância, ela se vê em meio ao que parece ser um culto a alguma
entidade cósmica. A partir dessa definição, o diretor, que já havia dado indícios desse horror lovecraftiano logo no início, ao mostrar tentáculos
percorrendo o galpão da primeira ocorrência de Ana antes de ela e sua equipe
partirem para o asilo, aprofundando o contexto e criando suspense sobre o que seria essa entidade e o que realmente está acontecendo. Nesse meio tempo, a mente da personagem se mostra confusa em relação às memórias e ao que está ocorrendo, muitas vezes acarretando riscos ao objetivo da equipe.
Assim, ela luta tanto para se manter sã quanto para salvar os idosos de um possível desabamento.
A ambientação é inquietante e se mostra eficiente em grande parte graças ao talento de Marjorie, que consegue transmitir seus medos e angústias junto à urgência
de retirar aquelas pessoas dali devido ao risco iminente, numa atuação cuja dramaticidade é crescente e atinge o ápice quando ela descobre que, no
meio daqueles idosos, há uma menina. As fortes chuvas intensificam o clima tenso, mostrando que não há muitos lugares para onde ir, e isso é frequentemente reforçado por meio de notícias transmitidas por rádios ou televisores, que relatam o quão desolada ficou a cidade, com enchentes que têm derrubado casas e causado mortes. O pecado cometido pelo diretor, no entanto, reside no
fato de que o filme parece se perder entre dois caminhos: o de desenvolver a
trama calmamente, sugerindo o que pode estar por trás dos tentáculos que são vistos pelos cômodos da casa e dos demônios pessoais da
personagem; e com a urgência de se evacuar o local o mais rápido possível. Esses dois fatores se contradizem neste contexto, pois a trama, ao buscar introduzir elementos sobre o possível culto sinistro, acrescentando novas
informações sobre quem são aqueles idosos e as pessoas responsáveis pelo local, acaba por cansar o espectador. A repetição ineficaz do senso de urgência, em contraposição, retira a força do primeiro fator,
e junto disso as decisões duvidosas da protagonista destoam um pouco desse senso de pressa inicial, que se arrasta sem levar a lugar algum. A
personagem passeia entre os cômodos, conversa com sua equipe, pede ajuda pelo
rádio, anda mais um pouco pela casa, e toda essa repetição se revela inócua frente ao terror que vai sendo construído lentamente.
No final das contas, o filme se mostra eficiente até certo
ponto. É interessante acompanhar a história da personagem e toda sua tentativa de
superação pessoal e profissional. Os elementos lovecraftianos, incluindo o final em que uma criatura é revelada, são instigantes e, tanto pela ambientação quanto pela atuação de Marjorie, o filme acaba valendo a pena. Há também uma singela homenagem ao mestre John Carpenter, mais no início do filme, antes de a equipe chegar ao asilo, que os fãs perceberão rapidamente.
Diretor: Damien Leone Roteiro: Damien Leone Elenco: Lauren LaVera, David Howard Thornton, Elliott Fullam, Sarah Voigt, Kailey Hyman, Casey Hartnett, Charlie McElveen, Amelie McLain, Johnath Davis, Samantha Scaffidi, Leah Voysey, Chris Jericho... Gênero: Terror Ano: 2022 País: Estados Unidos Duração: 138 min
Com o orçamento baixíssimo de apenas 35 mil dólares, o
primeiro filme solo de Art, O Palhaço, lucrou incríveis 419 mil dólares em
bilheteria mundial, sendo que desse montante geral, 339 mil foram apenas nos
Estados Unidos e Canadá. Um sucesso retumbate! Óbvio, uma franquia estava
prestes a nascer; a popularidade de Art estava nas alturas (e ainda está) assim
como a arrecadação do longa mundo afora. Com isso, o orçamento para esse
segundo filme subiu consideravelmente para 250 mil dólares. Um valor alto
quando se comparado com o orçamento minguado que teve seu antecessor – mas ainda
assim baixo para os padrões hollywoodianos. Dito isso, com um valor investido
maior, será que o faturamento também aumentou? E a história, melhorou?
O que fica evidente nesta continuação são as histórias
pessoais de cada personagem e como elas se encaixam na trama central. Ao
contrário do primeiro filme, que se baseava única e exclusivamente na violência
propagada por Art, aqui as coisas mudam um pouco. Claro, a violência está
presente de maneira mais gráfica e perturbadora do que no primeiro – embora eu ache que a cena da mulher sendo cerrada ao meio no primeiro filme é a mais violenta da franquia até aqui.
No entanto, Damien Leone tenta equilibrar essa violência com um pouco de drama
pessoal. Isto é, os personagens agora possuem um arco, mesmo que esse arco não
seja complexo ou completo. Ainda há lacunas que o diretor e
roteirista não conseguem preencher. Contudo, o fato é que agora o filme possui
substância, o que, tendo em vista que se trata de um filme com quase duas horas e vinte de
duração, é essencial para conseguir manter espectador atento e engajado, mesmo que esse espectador seja um fã inveterado de
filmes gore. Sem substância, um filme com essa duração certamente, em algum momento,
entediaria.
Os irmãos Sienna (Lauren LaVera) e Jonathan (Elliott Fullam)
estão passando por um momento de luto pelo falecimento de seu pai. Cada um lidando com
a perda à sua própria maneira. O menino mergulha no mundo do terror, que é sua
paixão; é fã de filmes de terror e de histórias de assassinatos e serial
killers. Tanto é que, no Halloween que está prestes a chegar, sua fantasia é
justamente a de Art, O Palhaço, que, tempos atrás (primeiro filme), assassinou violentamente
algumas pessoas. Fascinado pelo macabro, Jonathan é logo repreendido pela irmã
e pela mãe, Barbara (Sarah Voigt), que explicam o quão desrespeitoso é vestir-se
como um assassino real, mesmo que no Halloween. Sienna, aliás, que desaprova e
se preocupa com o comportamento do irmão, tenta superar a morte do pai, por
exemplo, recriando uma fantasia que pretende usar na data comemorativa,
que foi desenhada por ele antes de seu falecimento. O pai era uma espécie de artista e ambos os irmãos se apegam a esse fato para conseguir atravessar esse momento, e Sienna demonstra muito disso. A interação entre os três é
o ponto central da profundidade que Leone busca dar ao filme: como eles
interagem entre si, com os outros e, claro, como irão reagir quando o sangue
começar a jorrar. É uma grande mudança proposta pelo roteiro que busca realmente
algo diferente do que havia sido feito antes, mas que não se sustenta em um filme
tão longo. Por exemplo, a cena em que Sienna sonha com Art é excessivamente longa. É uma cena crucial para o restante do filme, pois estabelece alguns
medos da personagem e inclusive reações frente alguns desses medos, mas... É
longa demais. O que quer dizer que há elementos que se repetem e que poderiam
ter sido excluídos eu enxugados do roteiro. A música que se ouve no sonho, por
exemplo, se repete demais e, se Leone tinha a intenção de criar uma música que
se tornasse icônica (como a que se ouve nos filmes do Freddy com as crianças
cantando e pulando corda), o tiro acabou saindo pela culatra. E não é que a
música seja ruim, é apenas pela sua repetição e também pelo tom, que não se
prende à memória, diferente da mencionada entre parênteses. Mas tudo bem, porque,
mesmo assim, é uma boa canção dentro do contexto estabelecido.
Tantas outras cenas sofrem desse mesmo mal do prolongamento
desnecessário, com diálogos que se estendem e assim por diante. Dar substância
à trama não é o mesmo que alongá-la. Por isso, o filme acaba se tornando
enfadonho em alguns momentos. É um filme ruim por causa disso? Muito
pelo contrário; aqui o diretor acerta mais do erra. Já foi mencionado que muitas
cenas e diálogos se prolongam mais do que o necessário, o que é bastante negativo,
por outro lado, a substância dada aos personagens e, claro, a violência apresentada são
dois grandes pontos positivos. Além disso, a produção se destaca com uma cinematografia bonita com tons neons e cores frias e quentes
que se misturam e uma trilha sonora bonita com sintetizadores que remetem aos anos 80, que era outro objetivo do diretor: buscar elementos desta
época para tornar o filme o mais oitentista possível. Ele conseguiu.
Sobre os personagens, aliás, há uma personagem específica
que se torna companhia de Art, que é a 'Pale Girl'. Uma garota, também vestida de
palhaço, que só Art enxerga, e chega a ser tão sádica quanto. O palhaço
assassino agora ganha uma comparsa que o segue em sua jornada sangrenta.
Aliás, uma jornada também repleta de humor negro, que se faz presente desde o
começo, quando, após ressuscitar em uma sala que parece uma espécie de IML, o
palhaço mata o médico e vai até a lavanderia lavar sua roupa encharcada de
sangue para continuar sua matança. Inclusive é nesta lavanderia que ele
conhece Pale Girl. São cenas violentíssimas e engraçadas, que levam o tom do filme para essa dualidade. Há muitos momentos cômicos em meio ao banho de sangue, e essa é uma mistura que o diretor sabe realizar muito bem, pois não descamba para o exagero, mesmo que o filme possa ser visto desta forma. O humor não é deslocado, muito pelo contrário, ele reafirma a violência de modo a mostrar o quão sádico Art é.
Como a continuação ainda é uma produção completamente
independente, toda a maquiagem e efeitos também foram feitos pelo diretor, que é
um expert no assunto. Sem um grande estúdio por trás, assim como no primeiro
filme, Leone pôde usar toda a sua criatividade nas mortes e na hora de
recriá-las. Verdade seja dita: tudo isso só foi possível porque não há ninguém
grande da indústria por trás dizendo o que pode ou não ser mostrado – e isso é justamente um dos
grandes problemas das produções que sofrem com cortes e interferências o
tempo todo. Assim, Leone está livre para fazer o que quiser da forma como
quiser, e é por isso que os filmes de Art são tão violentos. O terceiro, a propósito,
pelo que se diz por aí, consegue ser ainda mais violento (quando chegar a hora,
o abordarei por aqui).
Os filmes de Leone, portanto, vêm em um crescente; começando
lá atrás com seus curtas e depois passando por “All Hallows’ Eve”, onde Art aparece pela primeira vez, seguindo para sua estreia em um filme solo até esta continuação, fica perceptível a crescente qualidade
técnica, que abrange o roteiro e a produção, e avança em direção a outros elementos.
Os personagens são melhores e mais bem desenvolvidos, e novas características são
incluídas, como a agora evidente e sobrenatural faceta do
assassino. E, óbvio, tudo isso se reflete no faturamento, que foi nada menos que incríveis 15 milhões e 700 mil dólares mundo afora – sucesso financeiro que coroa o esforço do diretor em entregar algo fora do mainstream, com níveis de gore que vão às alturas e que seriam com certeza rejeitados por grandes estúdios. São melhoras consideráveis que fazem cada vez mais aumentar a curiosidade com relação ao que está por vir.