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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #9, Deadstream (2022)

 

🎃🎃🎃

Diretor: Joseph Winter, Vanessa Winter
Roteiro: Joseph Winter, Vanessa Winter
Elenco: Joseph Winter, Melanie Stone, Jason K. Wixom, Pat Barnett, Marty Collins, Perla Lacayo, Cylia Austin-Lacayo, Hayden Gariety...
Gênero: Found Footage / Mockumentary
Ano: 2022
País: Estados Unidos / Reino Unido
Duração: 88 min

Em busca de recuperar a confiança de seus seguidores a angariar outros novos, Shawn Ruddy (interpretado pelo próprio diretor do longa, Joseph Winter) é um criador de conteúdos para internet onde grava vídeos fazendo todo tipo de insanidade imaginável, inclusive vídeos onde se coloca em risco para conseguir curtidas e visualizações. Por conta de uma polêmica, que acabou desmonetizando seu canal, o streamer, que diz ter se colocado a prova para superar tantos medos, volta à ativa para novamente se colocar em perigo frente ao que considera ser seu maior medo: fantasmas. Seria seu maior esforço para compensar seus erros e voltar com tudo como criador de conteúdo: passaria uma noite inteira fazendo uma livestream numa casa assombrada onde mortes aconteceram ao longo de sua história.

Munido de várias câmeras cujas quais ele vai colocando em quartos específicos da casa onde aconteceram as mortes, o espectador vai acompanhando os acontecimentos. Com uma câmera presa à sua cabeça e outra no peito, é possível observar em tempo real tudo o que acontece ao seu redor. Desse modo, Shawn anda pela casa em busca dos fantasmas enquanto conta para o público as histórias por trás dos cômodos assombrados pelos quais ele passa: suicídio, assassinatos etc.

A primeira metade do filme entrega cenas cuja construção do suspense mostra-se eficiente. Conforme o espectador, que se junta ao público que o acompanha na live, vai descobrindo o que aconteceu naquele local, como o suicídio de uma jovem próximo à escada que vai para o segundo andar, por exemplo, o suspense vai crescendo, pois, os segredos da casa, além de revelados aos poucos, mantem a atenção do espectador que presencia acontecimentos e ouvem sons que podem ou não terem sido causados por alguma presença sobrenatural. Até certo ponto não fica claro, até porque há uma tempestade a caminho e ventos fortes e trovões podem ser ouvidos ocorrendo à distância; o próprio vento, ou até mesmo os galhos das árvores ao redor, podem ser alguns dos responsáveis pelo que se pode ser ouvido. Óbvio que a intenção não é enganar o espectador, que já sabe desde o início que há, de fato, algo maligno naquele ambiente. Mesmo assim, o fato de haver essa construção de atmosfera com esses elementos ajuda no desenvolvimento do suspense. O espectador fica preso e em alerta porque pode ser que algo macabro apareça na frente da câmera a qualquer momento.

A segunda metade, por outro lado, deixa a desejar por abrir mão do que foi construído até então para abraçar o absurdo; a história fica exagerada e passa a assumir um tom de paródia, quase de forma carnavalesca. Muita coisa é mostrada e a tensão e desconfiança, que eram o ponto forte da primeira parte, já não mais existem. Agora o que passa a assumir o controle é o grotesco. Não que isso por si só seja o problema, mas sim a forma como foi retratado. Sair do sutil (mesmo que a atuação do streamer não seja – o que dá para entender, afinal streamers agem realmente dessa forma) para o exagerado e praticamente de modo instantâneo, sem aviso prévio, faz quebrar o contrato que o roteiro tinha assinado com o público até ali. Mesmo assim, o que se vê nesses momentos é pura diversão, ainda que destoe, e muito, do que tinha sido construído antes.

No final, “Deadstream” se mostra um bom filme, com bons momentos de tensão e suspense em sua primeira parte (vale dizer que a casa também ajuda nisso) e diversão com mais nojeira e cenas grotescas na segunda. Como curiosidade fica o fato de o filme ter sido gravado na mesma casa de "Traição", filme de 1999 dirigido por Louis Morneau e estrelado por Jim Belushi. E na cena onde ele retira de sua mochila um tabuleiro ouija é possível ver escrito no topo os dizeres "Klaatu Verata Nikto", que é uma frase surgida no filme "O Dia em que a Terra Parou", de 1951, mas popularizada como "Klaatu Barada Nikto" no "Evil Dead: Army of Darkness", em 1992.

 


 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #7, Hangman (2015)

 

🎃🎃

Diretor: Adam Mason
Roteiro: Simon Boyes, Adam Mason
Elenco: Jeremy Sisto, Kate Ashfield, Ryan Simpkins, Ty Simpkins, Eric Michael Cole, Amy Smart, Ross Partridge, Ethan Harris-Riggs, Vincent Ventresca, Bruno Alexander, Erika Burke Rossa...
Gênero: Found Footage/Horror
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Duração: 85 min

Já faz alguns muitos anos que filmes no estilo found footage têm sido feitos a exaustão. Esses novos exemplares lançados a cada ano geralmente não entregam nada novo, com raríssimas exceções (REC, de 2007) todos são feitos da mesma maneira, com os mesmos clichês, com a mesma fórmula. Percebe-se que são filmes cuja única pretensão é o lucro, com isso nos deparamos ano após ano com produções enlatadas que nada tem a oferecer a não ser um entretenimento efêmero para aqueles com pouca ou nenhuma exigência.

Hangman é apenas mais um nessa maré, com exceção de que a história é contada através de nada mais nada menos que do ponto de vista do próprio assassino.  Soou interessante, não? Novo, talvez? Pois é, interessante a uma primeira impressão; novo, não. Quer dizer, certo filme cuja premissa se assemelha já havia sido lançado um ano antes, e este filme chama-se "Creep" (2014). Este não nos conta uma história necessária e diretamente a partir do ponto de vista de um assassino, mas segue basicamente esta linha. Quem viu sabe do que estou falando - não entrarei em detalhes por causa de spoilers, mas adianto que é outra dessas exceções e merece ser visto.

Voltando a Hangman, a trama segue acompanhando uma família que, ao voltar de viagem, depara-se com sua casa completamente virada do avesso. Ela foi invadida por alguém que, além de desarrumar, quebrar e bagunçar tudo, também resolveu ali morar nesse meio tempo. O chefe da família, Aaron (Jeremy Sisto) liga para polícia, que vasculha a casa e nada encontra. A família então tenta retomar seu cotidiano, apesar da desconfiança. Beth (Kate Ashfield), esposa de Aaron, juntamente com o mesmo solicitam a troca das fechaduras e também que um sistema de alarme seja instalado, mas o que eles não esperam, junto com seus filhos Marley (Ryan Simpkins) e Max (Ty Simpkins) - o caçula dos dois filhos - é que o invasor ainda não foi embora.

Uma história com potencial desperdiçado com as mesmas e velhas convenções do gênero, os mesmo clichês de sempre e um roteiro sem muito a oferecer. No início ficamos interessados por saber que o invasor ainda vive ali, a espreita, escondido no sótão, num pequeno esconderijo pelo qual passa a vigiar a família por meio de uma tela de computador que monitora os cômodos da casa através das várias microcâmeras que ele próprio espalhou pelo ambiente. A tensão então se estabelece, pois o expectador sabe do perigo iminente, ao contrário da família que, apesar da desconfiança de que há ainda algo de errado, não faz ideia de que há um estranho vivendo entre eles.

Infelizmente uma hora e vinte e cinco de filme é muita coisa para um roteiro pouco inspirado. Não demora muito para que a trama se torne repetitiva. Inicialmente o invasor se limita a andar pela casa somente quando todos estão dormindo, no entanto, ao tornar-se mais seguro, não demora a espreitar-se também durante os momentos nos quais eles estão acordados, mas não importa o quê, ninguém nunca o encontra. Por vezes passam raspando um do lado do outro - como no momento do jantar, onde Aaron fica de costas para o invasor que, por sua vez, espera-o virar-se com uma faca empunhada em mãos -, mas sem sequer perceber a presença invasora. De início é uma tática interessante do roteiro e até certo ponto bem executada pelo diretor, mas não demora até esses momentos começarem a repetir-se exaustivamente tornando tudo aquilo interminavelmente maçante.

Percebe-se a falta de inspiração dos roteiristas Simon Boyes e Adam Mason (também diretor). A impressão é que estavam perdidos enquanto escreviam esse fiapo de história. O quarto de Max é um dos locais por onde o invasor adorava fazer algumas visitas. Em sua primeira visita o invasor acaba acordando Max que, aos prantos, grita por sua mãe que imediatamente vai ao seu quarto para então ouvi-lo dizer que acabara de ter um pesadelo. Isso ocorre para que em certo ponto da história o espectador possa descobrir que o invasor conversa com Max enquanto este dorme, dizendo coisas ruins (que posteriormente causará uma briga entre esposa e marido) e até inspirando-o a desenhar coisas sinistras. A história já se mostrou tão estéreo até certo ponto, que mais este absurdo apenas coroa a falta de criatividade com a qual os responsáveis resolveram encher o roteiro.

Com isso, o diretor e roteirista acabam presos dentro de sua própria armadilha, pois sem ter fatos novos a trabalhar, acabam por repetir-se, entregando uma história cíclica onde pouco acontece e o clímax nunca chega, e quando finalmente chega se mostra um alívio ao olhos do público que conseguiu chegar até o fim de toda aquela enrolação.

Hangman, portanto, não se mostra nada além do mais do mesmo. Possui alguns bons momentos iniciais de tensão que não se sustentam ao longo do filme, sendo exaustivamente repetidos até perderem o efeito, além de momentos absurdos para preencher algumas lacunas de um roteiro pouco inspirado. Talvez funcionasse melhor como um curta metragem, mas fracassa como um longa-metragem que é. 

Texto escrito em 2017


 

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Horror in the High Desert (2021)

 

Nota: ★★★

Diretor: Dutch Marich
Roteiro: Dutch Marich
Elenco: Suziey Block, Eric Mencis, David Morales, Tonya Williams Ogden, Errol Porter.
Duração: 80 minutos
País: EUA

“Horror in the High Desert” é um filme independente de baixíssimo orçamento que transita entre o mockumentary e o found footage. Ao que parece, é o primeiro trabalho do roteirista e diretor Dutch Marich a ganhar um pouco de notoriedade dentro de sua filmografia – valendo a lembrança que, ao se falar de notoriedade, aqui, leia-se notoriedade entre pessoas do pequeno grupo de fãs de cinema de baixo orçamento e dos gêneros aos quais o filme pertence. No entanto, mesmo com esse pouco de notoriedade, ele ainda continua obscuro para a grande maioria e, mesmo não sendo perfeito, é eficiente e merece ser mais conhecido.

A história contada aqui se passa no estado de Nevada, nos Estados Unidos, e é sobre Gary Hinge (Eric Mences), um adepto das longas caminhadas na natureza e das técnicas de sobrevivência. Em 2017, Gary, em uma dessas longas caminhadas, acaba desaparecendo. Sem que os familiares tenham notícia, sua irmã, Beverly Hinge (Tonya Williams Ogden), aciona a polícia, e é então que toda uma investigação e busca são instauradas para encontrar o rapaz. Além da polícia, há também uma investigação paralela ocorrendo por parte de um investigador particular, também contratado por Beverly.

Aparentemente não admitido pelo diretor, a história de Gary pode ter sido inspirada num acontecimento real ocorrido no ano de 2014. Essa é a história de Kenny Veach, um também jovem aventureiro do estado de Nevada que costumava gravar vídeos contando sobre suas aventuras na natureza. Em uma dessas aventuras, Veach diz ter encontrado o que seria a mais misteriosa das coisas com as quais ele já se deparou, uma caverna cuja entrada tinha a forma perfeita de um M. O pior, porém, é que quanto mais perto ele se aproximava da caverna, segundo ele, mais seu corpo vibrava, o que o fez abandonar a ideia de adentrá-la, assim fugindo dali o mais rápido que pôde, apavorado. Seus seguidores, por outro lado, queriam que ele voltasse ao local e gravasse tudo que pudesse da caverna. Foi então que Veach resolveu voltar à aventura, só que dessa vez para nunca mais dar notícia. Até hoje ninguém sabe o que pode ter-lhe acontecido. Seu corpo jamais foi encontrado, o que só fez aumentar o número de teorias da conspiração que vão desde aliens até experimentos governamentais ultrassecretos.

O que aconteceu com Gary Hinge foi basicamente a mesma coisa, mas em vez de uma caverna, ele encontrou uma cabana velha de madeira. Essa cabana, aliás, muito estranha, chamou-lhe atenção nesse primeiro momento, porém ele não quis parar para averiguá-la com mais cautela por motivos tais quais a estranheza que ela passava. Também fazendo gravações de suas andanças pela redondeza, o rapaz chegou a gravar alguns vídeos nos quais ele relatava para seus seguidores o quão estranha e misteriosa era a cabana e também os acontecimentos estranhos pelos quais ele começou a passar partir de então. Por isso, estando completamente intrigado com tudo, mas principalmente com o que tinha encontrado, ele resolve voltar para fazer um registro detalhado do local para compartilhar em vídeo com as pessoas. É então que muitas coisas são reveladas.

Entre as entrevistas e as partes dos vídeos gravados pelo rapaz, muito suspense é desenvolvido pelos fatos que são aos poucos mostrados conforme vai seguindo a ordem da investigação feita principalmente pelo investigador particular. A história vai seguindo por rumos que faz o espectador pensar e desenvolver hipóteses sobre o que pode ter acontecido com Gary para, no final, descobrir a incômoda verdade por traz disso tudo. E isso é bom pois eleva bastante a atmosfera inquietante da obra, que encontra em seu clímax o ponto alto – que não seria alto se não fosse todo o desenvolvimento até ali. O found footage, portanto, se encontra no final da obra, quando toda a verdade é posta diante dos olhos dos curiosos espectadores.

Infelizmente nem tudo são flores. A atmosfera foi bem desenvolvida, assim como todo o suspense e tensão, porém o filme peca com alguns excessos. Na primeira parte, por exemplo, informações repetitivas advindas dos entrevistados poderiam ter sido filtradas com o intuito de diminuir o tamanho do longa e permitir uma melhor fluidez, assim como um ou outro momento desnecessário que também poderiam ter sido cortados, ou seja, o filme poderia ter sido mais enxuto. E sobre o clímax, há elementos que causam mais dúvidas – no sentido ruim da palavra – do que respostas, e isso acontece porque parece que o diretor ficou um pouco indeciso na hora de mostrar os fatos do que aconteceu com o rapaz ao público.

Dessa forma, “Horror in the High Desert” não se mostra como um dos grandes do gênero, mas mostra que é decente dentro do que se propõe e por isso vale muito ser visto. Lembrando que, para melhor apreciar a obra, é preciso gostar do gênero, mas não necessariamente ter um conhecimento prévio dele (do gênero cinematográfico) e também não se importar com desenvolvimento lento, pois este é de fato um filme que se desenrola devagar (e isso não é um demérito). O que não significa, vale ressaltar, que outros espectadores que são distantes quanto ao tipo de filme que foi feito aqui não possam gostar, que fique claro. 


 



 

Sessão Dupla: Os Goonies (1985) e Conta Comigo (1986)

      Os Goonies (The Goonies, 1985) – Richard Donner Conta Comigo (Stand by Me, 1986) – Rob Reiner Dentre as várias combinações possíveis...