terça-feira, 1 de outubro de 2024

Maratona de Halloween 2024: #1, Apartamento 7A (Apartment 7A, 2024)

 

🎃🎃½

Diretor: Natalie Erika James
Roteirista: Natalie Erika James, Christian White, Skylar James
Elenco: Julia Garner, Dianne Wiest, Kevin McNally, Jim Sturgess, Marli Siu, Rosy McEwen, Andrew Buchan, Anton Blake Horowitz, Tina Gray, Patrick Lyster...
Gênero: Terror/Suspense
Ano: 2024
País: Estados Unidos/Austrália/Reino Unido

Como primeiro filme da maratona, porque não começar com o prequel de não apenas um dos filmes mais aclamados dos anos 60, mas também da história do cinema? “Apartamento 7A” se propõe a mostrar os acontecimentos que antecedem os de “O Bebê de Rosemary” (1968) – dirigido por Roman Polanski que dispensa comentário. Aqui, Natalie Erika James foi a escolhida para assumir a direção do longa, muito por ter chamado atenção com seu filme de estreia, o anterior “Relíquia Macabra” (2020).

Lançado pela Paramount+ no dia 27 de setembro, “Apartamento 7A” conta a história de Terry Gionoffrio (Julia Garner), que tenta recuperar e alavancar a carreira após sofrer um acidente numa peça de dança, onde torceu o tornozelo de modo que a deixou com uma sequela. Incapaz de executar um salto de forma consistente por causa do tornozelo fragilizado, a dançarina acaba encontrando refúgio no apartamento título do filme, que lhe é oferecido por um casal, Roman Castevet (Kevin McNally) e Minnie Castevet (Dianne Wiest). O casal, simpático e acolhedor num primeiro momento, começa a mostrar suas reais intenções ao oferecer à Terry o apartamento ao passo que a história caminha. E então que as coisas começam a ficar macabras.

Terry é convidada pelo casal a ir à uma festa onde o diretor da peça, Alan Marchand (Jim Sturgess), a qual ela está concorrendo estará presente – na verdade acontece na casa dele. O que acontece, no entanto, é que o casal e mais ninguém vai, deixando-os sozinhos, ela o diretor. É nesta “festa” onde eles se conhecem melhor e Terry acaba participando do momento mais sinistro de sua vida, o que, nos dias seguintes, a deixa com lembranças cujas quais ela não consegue distinguir se são reais ou imaginação.

Um dos problemas aqui, porém, é que o espectador sabe exatamente o que está acontecendo, ao contrário da protagonista. O filme não procura confundir o espectador, que sabe desde o início as reais intenções de todos ali, inclusive do simpático casal. Para quem assistiu ao original, talvez isso não fosse problema, afinal eles já sabem muito bem quem é o casal e suas intenções, no entanto, para um público novo, e até mesmo para os antigos, um pouco de manipulação não faria mal. O fato de o espectador estar sempre um passo à frente da personagem, aqui, não surte efeito prático. A dualidade que tem o original, por exemplo, que ajuda na criação da atmosfera e a construir um sentimento inquietante foi deixado completamente de lado, talvez para, por ser uma “continuação” – logo explicarei as aspas –, tentar se distanciar de fato, o que seria bom se não fosse ruim. No final das contas o que vemos, na prática, são cenas que inconfundivelmente mais do que lembram o filme de 68, misturam-se, às vezes. E isso não é bom por inúmeros motivos: primeiro, pela incapacidade do roteiro de criar algo novo; segundo, pela falta de criatividade ao desenvolver personagens e construir cenas. E o final que no filme do Polanski é a reunião de tudo o que foi visto até então e chega a quase, ou talvez ser de fato, catártico. O espectador se vê numa situação tão macabra que chega a incomodar, no melhor sentido possível da palavra. Aqui, por outro lado, o final, além de equivocado (e novamente, quem viu o original vai entender), é mais outro retrato da falta de criatividade dos envolvidos.

No final, o que se vê é um remake travestido de prequel, e feito, ao que parece, da forma mais preguiçosa possível. Isso significa que o filme não tem qualidades? Muito pelo contrário. Por mais que a personagem principal não cative, a atriz parece realmente empenhada, assim como o casal de idosos, que estão realmente bons. E, claro, para além disso, há cenas que se destacam, mas não são muitas. No geral, a mediocridade permeia, infelizmente.  

 


 

 

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Maratona de Halloween (Outubro de 2024)

 

 

 

 

 

 

 

Bom, o Halloween, que é a minha época preferida, está chegando! Contando com o dia de hoje (dia 27/09) faltam quatro dias para o melhor mês do ano. O mês de comemorar e festejar o macabro; de aproveitar que o manto que divide nosso mundo do mundo oculto dos mortos encontra-se fragilizado para, então, invocar os espíritos e fazer pactos de sangue com o demônio... talvez até mesmo vender a alma para o mestre das trevas e selar o destino rumo à escuridão. O meu já foi selado há décadas e, desde então, venho seguindo o caminho obscuro do nosso senhor, que me leva à conhecer e visitar lugares macabramente inimagináveis ano após ano, onde apenas os destemidos ousam pisar. Neste Halloween, os caminhos em direção à mais desses lugares já estão traçados: será uma jornada de 31 dias por horrores trazidos pelas brisas que escapam do inferno; por gélidos sussurros das trevas cujos escolhidos são os únicos que ousam ouvi-lo - e senti-lo. Um filme por dia é o desafio. Filmes obscuros ou não, mas que honrarão a imagem do guardião dos bons filmes de terror! Portanto, que os portões se abram e que as criaturas se libertem. E que o mestre, enfim, nos dê as suas boas-vindas!

terça-feira, 10 de setembro de 2024

O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999)

 

 

★★★★★

Diretor: M. Night Shyamalan
Roteirista: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Haley Joel Osment, Toni Collette, Olivia Williams, Trevor Morgan, Donnie Wahlberg, Peter Anthony Tambakis, Jeffrey Zubernis, Greg Wood...
Gênero: Suspense/Drama
Ano: 1999
País: Estados Unidos

M. Night Shyamalan é um dos diretores mais reconhecidos de Hollywood. À época um estreante de extremo sucesso, fez filmes aclamados como “O Sexto Sentido” (1999), “Corpo Fechado” (2000), “Sinais” (2002) e “A Vila” (2004). Quatro grandes filmes incontestáveis de sua filmografia – com exceção dos dois últimos que, vira e mexe, aparecem questionamentos por parte de uma parcela dos cinéfilos. Apesar de os dois últimos levantarem alguns questionamentos por parte de uma parcela do fãs, os dois primeiros, por outro lado, são tidos como obras-primas por muitos – por mim incluso. E não à toa, esse título dado aos primeiros tem relação direta com a forma como o diretor conduz o suspense, a tensão e o desenvolvimento até o clímax. Aliás, as reviravoltas – ou melhor, a reviravolta (falando dos finais) – que acontecem, hoje, pode-se dizer, foi o grande trunfo e, também, a grande desgraça na carreira do indiano (quem assistiu a sua filmografia inteira sabe do que estou falando). Os segredos revelados no final desses quatro primeiros filmes são avassaladores. “O Sexto Sentido” mesmo – material desta análise – possui um final arrebatador. O que o diretor entrega em termos de surpresa, tensão e desconforto é algo poucas vezes visto. Por isso logo no início dos anos 2000, após o lançamento do filme, ele já recebia a alcunha de “mestre do suspense”. Apesar das derrapadas a partir de “A Vila”, fãs e não fãs continuam e continuarão se lembrando desta grande obra em análise por décadas e décadas.

O filme acompanha Cole Sear (Haley Joel Osment) e Malcolm Crowe (Bruce Willis), um menino com sérios problemas de relacionamento e sociabilidade, principalmente no âmbito escolar, onde sofre bullying diário e que tais problemas são consequência direta do que passa diariamente por causa das visões que tem de espíritos – o que o faz ser chamado por amigos e até professores de "aberração" –, e um psicólogo que tenta recuperar a carreira após ser baleado pelo paciente cujo qual ele tinha falhado anos atrás, bem como o noivado, por ter se tornado distante depois de retomar a carreira como psicólogo infantil após o incidente. 

Ambos os personagens possuem problemas graves em suas vidas e ambos, embora com a sensação de que não podem ser ajudados por ninguém, seguem, de alguma forma, tentando. O garoto, por exemplo, no começo do filme diz gostar de Malcolm, embora ache que ele não possa ajudá-lo. Mesmo assim o mantém em sua vida, o que demonstra que, apesar de sua incredulidade, ele ainda tem, por menor que seja, forças para tentar. E as tentativas de superação são muitas e podem ser observadas nas interações sociais fracassadas onde o resultado gerado é apenas mais bullying. O psicólogo, por sua vez, demonstra toda sua tristeza no olhar pesado que, vez ou outra, acaba se desviando em momentos de confrontação, como na cena em que não consegue olhar nos olhos de Cole ao ser confrontado pelo menino que pede para que não desista dele, o que demonstra e reafirma sua fragilidade.  

A complexidade desses dois mostra como o diretor consegue dar camadas a seus personagens, de modo que seus trejeitos estejam alinhados com a história que está sendo contada. E não são camadas fáceis de se ver. As revisitações a obra ajudam a buscar por esses elementos, e o mais apaixonante nesse filme – assim como em outros do diretor – é que, a cada revisita, novas coisas são percebidas, tanto em termos de roteiro, atuação, direção ou história mesmo: a porta com a maçaneta vermelha e seu significado; a interação entre os dois personagens; a música de James Newton Howard e como ela se encaixa... Os elementos sãos muitos. E a forma como o suspense cresce conforme vamos descobrindo os segredos de Cole e Malcolm, que são desenvolvidos com cuidado e cautela, sendo mostrados aos poucos e com muita sutileza ao longo do filme, culmina no grande final, triste e melancólico, que acerta o espectador como um tiro – que ao contrário do personagem, acerta direto na cabeça. O diretor não polpa o espectador do abalo emocional. E essa, entre tantas outras coisas, é o que torna esse final irresistível.

E vale dar um destaque imenso a atuação de Haley Joel Osment e Bruce Willis. O primeiro tem uma das maiores interpretações feitas por crianças na história do cinema. Seu desespero profundo e a vontade de superá-lo são captados com maestria pelo menino, que faz com que os espectadores de todas as idades sintam o que ele sente. O mesmo pode ser dito do segundo, que tem um talento enorme para atuar em dramas. A conexão e química entre os dois é clara e evidente, e é uma das delícias do filme. Toni Collette como Lynn Sear também é um ponto chave. Sua atuação como mãe protetora e questionadora acrescentam elementos que ajudam no desenvolvimento tanto de sua própria personagem quanto o do filho (a cena em que fica brava com Cole após um objeto de seu apresso aparecer num lugar diferente do que ela o tinha guardado é excelente).

“O Sexto Sentido” é, portanto, não somente um dos maiores lançamentos de 1999 (que ano maravilhoso para o cinema, diga-se de passagem!), como para a década, como para o século, como para toda a história do cinema. Hoje, ele é lembrado e cultuado não à toa, a mente nova e fresca de um talentoso diretor que respira cinema é o nome por trás disso; as coisas não acontecem por mera coincidência. O que o filme possui de características que o elevam a esse patamar tem nome. E àqueles que por algum motivo ainda não conhecem a essa obra, não sabem a sorte que tem de ter essa primeira avassaladora experiência. Mergulhem de cabeça e não percam mais tempo!

 


 

 

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Horror in the High Desert (2021)

 

Nota: ★★★

Diretor: Dutch Marich
Roteiro: Dutch Marich
Elenco: Suziey Block, Eric Mencis, David Morales, Tonya Williams Ogden, Errol Porter.
Duração: 80 minutos
País: EUA

“Horror in the High Desert” é um filme independente de baixíssimo orçamento que transita entre o mockumentary e o found footage. Ao que parece, é o primeiro trabalho do roteirista e diretor Dutch Marich a ganhar um pouco de notoriedade dentro de sua filmografia – valendo a lembrança que, ao se falar de notoriedade, aqui, leia-se notoriedade entre pessoas do pequeno grupo de fãs de cinema de baixo orçamento e dos gêneros aos quais o filme pertence. No entanto, mesmo com esse pouco de notoriedade, ele ainda continua obscuro para a grande maioria e, mesmo não sendo perfeito, é eficiente e merece ser mais conhecido.

A história contada aqui se passa no estado de Nevada, nos Estados Unidos, e é sobre Gary Hinge (Eric Mences), um adepto das longas caminhadas na natureza e das técnicas de sobrevivência. Em 2017, Gary, em uma dessas longas caminhadas, acaba desaparecendo. Sem que os familiares tenham notícia, sua irmã, Beverly Hinge (Tonya Williams Ogden), aciona a polícia, e é então que toda uma investigação e busca são instauradas para encontrar o rapaz. Além da polícia, há também uma investigação paralela ocorrendo por parte de um investigador particular, também contratado por Beverly.

Aparentemente não admitido pelo diretor, a história de Gary pode ter sido inspirada num acontecimento real ocorrido no ano de 2014. Essa é a história de Kenny Veach, um também jovem aventureiro do estado de Nevada que costumava gravar vídeos contando sobre suas aventuras na natureza. Em uma dessas aventuras, Veach diz ter encontrado o que seria a mais misteriosa das coisas com as quais ele já se deparou, uma caverna cuja entrada tinha a forma perfeita de um M. O pior, porém, é que quanto mais perto ele se aproximava da caverna, segundo ele, mais seu corpo vibrava, o que o fez abandonar a ideia de adentrá-la, assim fugindo dali o mais rápido que pôde, apavorado. Seus seguidores, por outro lado, queriam que ele voltasse ao local e gravasse tudo que pudesse da caverna. Foi então que Veach resolveu voltar à aventura, só que dessa vez para nunca mais dar notícia. Até hoje ninguém sabe o que pode ter-lhe acontecido. Seu corpo jamais foi encontrado, o que só fez aumentar o número de teorias da conspiração que vão desde aliens até experimentos governamentais ultrassecretos.

O que aconteceu com Gary Hinge foi basicamente a mesma coisa, mas em vez de uma caverna, ele encontrou uma cabana velha de madeira. Essa cabana, aliás, muito estranha, chamou-lhe atenção nesse primeiro momento, porém ele não quis parar para averiguá-la com mais cautela por motivos tais quais a estranheza que ela passava. Também fazendo gravações de suas andanças pela redondeza, o rapaz chegou a gravar alguns vídeos nos quais ele relatava para seus seguidores o quão estranha e misteriosa era a cabana e também os acontecimentos estranhos pelos quais ele começou a passar partir de então. Por isso, estando completamente intrigado com tudo, mas principalmente com o que tinha encontrado, ele resolve voltar para fazer um registro detalhado do local para compartilhar em vídeo com as pessoas. É então que muitas coisas são reveladas.

Entre as entrevistas e as partes dos vídeos gravados pelo rapaz, muito suspense é desenvolvido pelos fatos que são aos poucos mostrados conforme vai seguindo a ordem da investigação feita principalmente pelo investigador particular. A história vai seguindo por rumos que faz o espectador pensar e desenvolver hipóteses sobre o que pode ter acontecido com Gary para, no final, descobrir a incômoda verdade por traz disso tudo. E isso é bom pois eleva bastante a atmosfera inquietante da obra, que encontra em seu clímax o ponto alto – que não seria alto se não fosse todo o desenvolvimento até ali. O found footage, portanto, se encontra no final da obra, quando toda a verdade é posta diante dos olhos dos curiosos espectadores.

Infelizmente nem tudo são flores. A atmosfera foi bem desenvolvida, assim como todo o suspense e tensão, porém o filme peca com alguns excessos. Na primeira parte, por exemplo, informações repetitivas advindas dos entrevistados poderiam ter sido filtradas com o intuito de diminuir o tamanho do longa e permitir uma melhor fluidez, assim como um ou outro momento desnecessário que também poderiam ter sido cortados, ou seja, o filme poderia ter sido mais enxuto. E sobre o clímax, há elementos que causam mais dúvidas – no sentido ruim da palavra – do que respostas, e isso acontece porque parece que o diretor ficou um pouco indeciso na hora de mostrar os fatos do que aconteceu com o rapaz ao público.

Dessa forma, “Horror in the High Desert” não se mostra como um dos grandes do gênero, mas mostra que é decente dentro do que se propõe e por isso vale muito ser visto. Lembrando que, para melhor apreciar a obra, é preciso gostar do gênero, mas não necessariamente ter um conhecimento prévio dele (do gênero cinematográfico) e também não se importar com desenvolvimento lento, pois este é de fato um filme que se desenrola devagar (e isso não é um demérito). O que não significa, vale ressaltar, que outros espectadores que são distantes quanto ao tipo de filme que foi feito aqui não possam gostar, que fique claro. 


 



 

Sessão Dupla: Os Goonies (1985) e Conta Comigo (1986)

      Os Goonies (The Goonies, 1985) – Richard Donner Conta Comigo (Stand by Me, 1986) – Rob Reiner Dentre as várias combinações possíveis...